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postheadericon Os Povos de Moçambique em cronistas Portugueses

OS POVOS DE MOÇAMBIQUE  EM  CRONISTAS PORTUGUESES
                                   
    José Capela

Do muito que os portugueses escreveram e publicaram, ao longo de séculos, sobre os povos bantos, nomeadamente sobre aqueles que hoje constituem a Nação Moçambicana, pode ressaltar uma imagem civilizacional equívoca, porventura preconceituosa. Não alimentando a pretenção de aqui corrigir seja o que for, limitar-me-ei a apresentar textos que privilegiam a qualidade estética das categorias comportamentais do povo hoje moçambicano. Textos de portugueses, ilustres a muitos títulos, que passaram mais ou menos prolongadamente pela parte de África que é hoje Moçambique e que se deixaram impressionar fortemente pela qualidade estética desses povos que conheceram e com quem conviveram.
O primeiro escrito de um português em contacto com um povo banto da costa oriental de África dá primazia ao que era uma novidade de cariz estético para quem ali chegava pela primeira vez. No Diário da Viagem de Vasco da Gama, atribuído a Álvaro Velho, pode ler-se o episódio que teve lugar na que agora é chamada a Costa do Natal:
Item, ao sábado vieram obra de duzentos negros entre grandes e pequenos e traziam obra de doze rezes entre bois e vacas e quatro ou cinco carneiros e nós como os vimos fomos logo em terra e começaram logo de tanger quatro ou cinco frautas e uns tangiam alto e outros baixo em maneira que concertavam muito bem.
Isto quer dizer que, há cerca de 500 anos, um navegador chegado das costas da Europa se extasiou, tal e qual como o fazemos hoje, perante a espontaneidade com que os povos desta parte de África produzem harmonia instrumental e vocal. Não estavam na terra que hoje é Moçambique, somente à porta.
Como contraponto a esse apontamento do cronista para aqui trago um outro, este de um centurião de finais do século XIX  que igualmente se extasia com a polifonia das impis ngunis (corpos de guerra do Gungunhana). É Aires de Ornelas que, em 14 de Agosto de 1895, da residência da respresentação diplomática portuguesa junto da corte do Gungunhana, aonde se deslocara em missão diplomática, escreve à Mãe:

 



[…] tratemos de dar uma ideia do espectáculo que presenciei nesse dia, espectáculo que bem poucos europeus têm visto e com certeza o mais extraordinário a que tenho assistido.
Pelas 9 horas da manhã, do mato que fecha a elevação onde está a corte do Gungunhana, vinha saindo uma multidão de gente descendo para a grande  lângua do Manguanhana.
Ao chegar à planície tudo isso fez alto formando uma densa linha negra que nos fechava o horizonte. Lentamente se foi ela aproximando de nós; pouco a pouco iam-se percebendo  e distinguindo os vultos quando se partiu em 6 colunas, 2 delas muito profundas ladeadas, cada uma por duas mais pequenas. Eram as duas mangas de guerra dos Ipafumane (homens altos) e Zinhone M'Chope (pássaros brancos) dividida cada uma em três troços (mabange) na força de perto de 3000 homens cada uma, ostentando toda a gala e riqueza selvagem do magnífico trajo de guerra vátua.Vinham armados só de cacetes, prova das suas intenções pacíficas, e toda essa massa imensa avançava para nós cercando a Residência sem um ruído sequer, manobrando com uma precisão e regularidade que fariam inveja a europeus.  A cerca de 500 metros de nós destaca-se para a frente  o bobo ou jogral  do exército, literalmente coberto de peles de tigre, com um imenso capacete de penas negras na cabeça, dando cabriolas, ladrando como um cão, cantando como um galo. Já estavam as mangas juntas à residência, e as seis colunas formaram linha em semicírculo em volta de nós vindo para a frente até 15 ou 20 metros um grupo de 100 homens. Entre estes vinha o Gungunhana que conheci logo, apesar de nunca lhe ter visto retrato algum; era evidentemente o Chefe de uma grande raça. Desse grupo adiantou-se um dos principais, orando por bastante tempo, dando-nos as boas vindas em nome do régulo e da sua nação e terminando pela saudação vátua: bahete! que repetida pelas milhares de bocas que nos cercavam produzia o efeito de uma descarga de fuzilaria.
Então o régulo adiantou-se sentamo-nos e trocaram-se os mais cordiais cumprimentos. É um homem alto e sem ter as magníficas feições que tenho notado em tantos dos seus, tem-nas sem dúvida belas, testa ampla, olhos castanhos inteligentes, e um certo ar de grandeza e superioridade. Ao levantar-se fez-se de novo o estrondoso  bahete! e formando outra vez as mangas em coluna, mandou-as entoar o canto de guerra. Aqui devia eu parar! Nada no mundo pode dar uma pálida ideia da magnifiência do hino, da harmonia do canto, cujas notas graves e profundas vibradas com entusiasmo por 6000 bocas faziam-nos estremecer até ao íntimo. Que majestade, que energia naquela música ora arrastada e lenta quase moribunda, para ressurgir triunfante num frémito de ardor, numa explosão queimante de entusiasmo! E à medida que as mangas se iam afastando, as notas graves iam dominando, ainda por largo espaço, reboando pelas encostas e entre as matas do Manjacaze! Quem seria o compositor anónimo daquela maravilha? Que alma não teria quem soube meter em três ou quatro compassos a guerra africana com toda a acre rudeza da sua poesia? Ainda hoje nos «cortados ouvidos me ribomba» o eco do  terrível canto de guerra vátua, que tantas vezes o esculca chope ouviu transido de terror,  perdido por entre as brenhas destes matos nos quais vivo há um mês.


Um  outro centurião que muito escreveu sobre as suas conquistas foi Azevedo Coutinho. Sempre na posição de conquistador não deixa, no entanto, de exaltar o mirífico mundo zambeziano pelo qual verdadeiramente se apaixonou. Com uma prosa desataviada, jamais deixa de enaltecer as qualidades de guerreiros, de carácter e de nobreza quer daqueles que o acompanharam nas suas incursões bélicas, quer dos chefes e senhores locais, quer dos mais humildes dos seus servidores. Quando, na conquista do Báruè, conseguiu, finalmente, aprisionar um Makombe, de nome Chipitura, e com ele se dirigia para Quelimane, descreve-o com um aceno de homenagem:

No percurso, desde que entrámos nos territórios da Companhia de Moçambique, a gente das povoações pacíficas vinha à beira da estrada saudar-nos, com entusiástica admiração e todos queriam ver o Chipitura, que com seus filhos caminhava indiferente e orgulhoso, entre a forte escolta que os guardava, com aquele estoicismo admirável que faz de cada preto um verdadeiro herói, pela indiferença absoluta e extraordinária coragem com que sabem encarar a morte.

Outro autor  que primou na contemplação estética do povo moçambicano foi Diocleciano Fernandes das Neves em Itinerário de Uma Viagem à Caça dos Elefantes com belíssimas páginas de homenagem à amizade e lealdade dos seus servidores e acompanhantes assim como à beleza física e moral de tantos que encontrou pelo longo caminho que percorreu, nomeadamente as princezas e donzelas da casa real Cossa.

O mesmo se diga de Emílio de San Bruno que, em Zambeziana Scenas da Vida Colonial  nos deixou páginas do mesmo teor.

A Língua Portuguesa


Como contrapartida, viria a propósito evocar a forma como os moçambicanos adoptaram a Língua Portuguesa. Quando, nos primeiros anos sessenta relancei, na cidade da Beira, a publicação do semanário Voz Africana  os leitores a quem o jornal mais directamente se dirigia reagiram de forma tão entusiástica que o passaram a invadir com uma correspondência massiva. Se a quantidade era impressionante, o teor não o era menos. Os subscritores eram, de alguma maneira, os primeiros africanos, naquele contexto, com um meio de comunicação à sua disposição. Uma pequena elite europeisada, em Lourenço Marques, a partir dos começos do século, dispusera de imprensa própria. Agora era uma primeira geração de letrados precários que tinha oportunidade de se manifestar publicamente. E como o fizeram! Nos escritos desnudavam-se aspectos da vida africana em fase de transição profunda, portanto em crise. Os subscritores denunciavam sociedades e pessoas em conflitos permanentes e totais: com os indívíduos e com as estruturas. Por sua vez a originalidade da expressão não somente a partir do tratamento de uma nova língua ainda não assimilada e logo recriada. Particularmente surpreendentes tornam-se os contornos estéticos desse tratamento iniciático, o desenho impressionista tanto de manifestações comportamentais como sentimentais e em que o caricatural vai de par com o trágico e com o cómico. Também a serenidade face à tragédia. Não menos surpreendente é a  diversidade de temas. Por detrás de simplicidade, talvez mesmo de uma infantilidade aparentes, o leitor atento ao meio social e à mentalidade envolventes descobre no cojunto de escritos uma riqueza insuspeitada tanto pela realidade ontológica que encerra como pela morfologia de que  se reveste. Os subscritores, na sua generalidade, dispõem de uma escolaridade rudimentar que nunca ultrapassa o ensino primário elementar. Podemos dizer, afoitamente, que é a voz de um povo. Um povo então subjugado mas um povo relativamente ao qual acontecimentos subsequentes denunciaram uma conscientização política de que esta correspondência é um prenúncio.
    Como exemplo, uma carta em que a tragédia do quotidiano vai de par com o delicado tratamento iniciático da língua utilizada.
    Certo dia na área da Chipangara (bairro periférico da cidade da Beira habitado quase exclusivamente por africanos) um homem de cor negra que trouxera da sua terra 5 litros com sura  (bebida fernentada obtida da palmeira) que não era para venda mas sim para ele beber de quando em quando que precisasse. Assim que chegou o homem, tirou um litro para o irmão que mora pouco distante da sua. Quando pelo caminho dirigia-se para casa, encontrou com a polícia, que lhe perguntou donde tinha comprado a bebida. O pobre homem preto disse-lhe que tinha dado por irmão que trouxera da minha terra 5 litros para bebermos no tempo de almoço ou de jantar. E a polícia ordenou ao homem voltar para traz mostrar a casa onde foi dado. Quando chegaram, a polícia entrou logo para dentro da casa a observar se havia mais alem daqueles 5 litros com sura que tinha visto na sala quando logo entrou. Infelizmente não houve alem daquela quantidade.
    Depois mandou aquele homem que trouxe aqueles 5 litros pôr fora o garrafão juntamente com o litro que já tinha dado ao irmão. Por fim mandou levar uma tábua que estava encostada a casa para partir aqueles garrafões.
    O homem, além de sofrimentos de pesos que por onde trouxe lhe fartou, levou a tabua conforme a ordem e partiu. A polícia no fim de tudo começou bater pela caceta os dois irmãos até que sangraram.


Uma antologia  destas cartas em Moçambique Pelo Seu Povo, Porto, 1971 e www.aluka.org
 

Actualizado em (Quinta, 27 Maio 2010 16:46)

 
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