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postheadericon Encontro com Roberto Chichorro (artigo publicado recentemente na Revista Tempo, em Maputo)

 

Encontro com Roberto Chichorro (artigo publicado recentemente na Revista Tempo, em Maputo)


Fotografia de Danilo Guimarães


Por estes dias, ao ordenar e catalogar os meus livros e revistas relativos a Moçambique, deparei novamente com capas e ilustrações de Roberto Chichorro em obras como Xicandarinha na lenda do Mundo, de Calane da Silva (1987), Maria, de José Craveirinha (1988), O Panfleto, de Domingos Van-Dunem (1988), A poética de José Craveirinha, de Ana Mafalda Leite (1991), Vinte e tal novas formulações de uma elegia carnívora, de Luís Carlos Patraquim (1991), Mariscando Luas (álbum sobre o artista), de Luís Carlos Patraquim, Ana Mafalda Leite e outros (1992), A palavra dividida, de Nelson Saúte (1993), Não quero ser grande, de Maria Rosa Colaço (1993), Vozes Moçambicanas (Patrick Chabal, 1994), Fictions from the Portuguese (The Literacy Review, 1995), Transcending The Legacy – Children in the new Southern África (UNICEF, 1995), Relatório dos PALOP (separador Moçambique, 1996), Poésie Africaine (Notre Librairie, Revue des Littératures du Sud, 317, mai-aôut 1999), Para fazer um mar, de Virgílio de Lemos (2001), Romance Fluminense, por Martinho da Vila (2002), Mia Couto: Pensamentos e Improvérbios, por Fernanda Cavacas (2003), Ventos da minha alma, de Sebastião Alba (2006), O homem que não podia olhar para trás, de Nelson Saúte (2006), Debaixo do Arco-Íris não passa ninguém, de Zetho Cunha Gonçalves (2006) e outros mais que aparecerão por aí no meu escritório cuja desarrumação é proverbial, livros que Chichorro ilustrou de raiz como Outras Histórias (com textinhos de vários autores, 2003), Estória, Estória…Do Tambor a Blimundo (Celina Pereira, 2009), Histórias Pintadas em Sonho de Azul (2010), livros para crianças de diferentes autores e de contextos culturais e históricos diversos. Destaco ainda dois Álbuns artísticos e antológicos dedicados ao artista: Roberto Chichorro (edição bilingue da Editorial Ndjira, Maputo, 1998), e Mestiçagens do Olhar (da Editora Som e Tinta, Maio de 2006), ambos com colaboração importante de vários autores, com textos de crítica artística e textos biográficos, e reprodução sem reparos de obras suas. E, obviamente, catálogos e reportagens sobre as suas exposições dos últimos doze anos.

Não vi todas as exposições que foram montadas por estas paragens. Mas fiz questão de estar presente nas do Aniversário da Independência de Moçambique (2007), na exposição do Centro Cultural de Cascais (2010), e visitar o Memorial à República, na Praça Vitorino de Carvalho, na cidade de Ourém (2010). Para além da arte exposta, estudei e vi as imagens nos catálogos das exposições em Cabo Verde (2000), República Dominicana (2002), Espanha (2006) e França (2010).

Ao deliciar-me diante dos quadros e ao folhear os catálogos a que tive acesso, notei que estando sempre nas pinturas o mesmo artista Chichorro, o traço foi ganhando uma nova dimensão e o uso do acrílico passou a ser dominante. Não do acrílico diluído à maneira do guache, mas pastoso, se assim pode dizer-se, como no uso do óleo, para pintar mutações paulatinamente acontecidas.
 


Fotografia de Danilo Guimarães


Por causa disto e outras coisas mais, quis falar com o pintor, propositadamente, pois que nos breves encontros que tivemos aquando da inauguração da obra monumental do Mestre Malangatana, no Barreiro, e durante as cerimónias fúnebres do cidadão de Matalane, isso não foi possível, nem era oportuno.

Visitei Chichorro no seu atelier, algures na serra. Dele, o artista tem uma vista esplendorosa para a planície, acima da qual pode vislumbrar no desenho etéreo das nuvens ou, entre elas, «alumbradas Luas iluminando pássaros recentemente libertados do nembo das gaiolas, agora em pousio livre nos finos fios–ramos da vida, enquanto suburbanas violas de lata “tchaiam” marrabentas … nos percursos oníricos de canho e caju». Quem é que escreveu isto? O Calane?, o Patraquim? – Não importa agora, pois a estilística inconfundível de figuras palpitantes de cor é a do Roberto. Neste seu atelier, o pintor não se afasta das suas raízes e da sua moçambicanidade, procurando o encantamento de lembranças da infância por intermédio de inventados contadores e de animais míticos das tradições – gado úbere alimentando sonhos -, de tocadores de viola, das brincadeiras das crianças e de evasões e amores mariscados na juventude. É uma pintura de memórias que se institui como importante elemento de afirmação cultural e nacional. Não há aqui nem exílio nem diáspora. Há sim uma mistura de moçambicanismos que alguns procuram separar.

Mas dá mesmo assim para perguntar sobre os nembos. Lá iremos. Para já, embora os motivos e os ambientes poéticos continuem a ser os mesmos de toda a produção anterior, o certo é que as figuras estão mais marcadas no palco das narrativas pelo traço e pelos contornos do acrílico, que a aguarela e mesmo o guache que as esbatiam num ambiente poético bem peculiar.  
 

 

Fotografia de Danilo Guimarães


Portanto, a primeira questão é:
- «A aguarela e o guache deixaram de fazer parte da paleta do artista?»
-Não. Só que neste momento passaram a fazer parte em simultâneo da
minha nova linguagem pictórica, que engloba vários materiais no mesmo trabalho, o que designo por técnica mista.

- «Porque é que o acrílico passou a ser o material pictórico dominante?»
-A forma como uso o acrílico faz pouca diferença do óleo, em termos plásticos, tem a vantagem de ter uma secagem mais rápida, e sendo uma tinta à base de água, é menos nociva para a saúde.

- «Abandonou de vez ou apenas temporariamente a escultura e a gravura?»
- Não se tratou de um abandono, pois nunca foi a minha principal forma de expressão artística. A curiosidade levou-me a explorar esses, e outros campos, de que resultaram algumas peças, mas sem a mínima intenção de ser escultor ou gravador.

Voltemos agora ao nembo.
- «Quando é que lhe veio a urgência de libertar os pássaros dos nembos, embora a portas estivessem abertas?»
-A urgência, como dizes tu, não foi a necessidade de libertar os pássaros dos nembos, mas sim, libertá-los das gaiolas, porque fora delas é o lugar natural, para essas jóias aladas, que são os beija-flor.
As gaiolas, hoje, não são mais do que os meus pilares de memória de menino passarinheiro, simbolizando hoje as prisões dos meus amores.

A sua última exposição de relevo em Moçambique foi a Retrospectiva de 2009, «Sonhos d’Agora e também d’Outros tempos».
- «Quando virá o momento de uma nova mostra na terra pátria do Índico?»
-Não sei. Essas coisas têm que acontecer nos momentos certos, e quando há alguém a proporcioná-las, tal como em 2009 Caixa Geral de Depósitos e BCI-Banco Comercial e de Investimentos, proporcionaram a concretização de vários sonhos, daí o título da exposição, e não propriamente uma retrospectiva.

- «Das múltiplas exposições que tem feito por esse mundo, tem notado que os não moçambicanos tem buscado o prazer da arte ou procuram o exotismo africano?

- Acontecem as duas situações. Há quem procure o prazer da arte, felizmente a maior parte, mas há também os que buscam o tal exotismo africano, mas também um exotismo feito de um saudosismo moçambicano. O que é uma pena, porque a meu ver, a pintura não deve passar por africanismos exóticos.
 
- «O Museu Nacional de Arte, em Maputo, renovou o stock das obras do Chichorro?»

-O meu conhecimento das obras do museu, data de 2009, e como pude constatar no local, são obras antigas, não tenho conhecimento de quaisquer aquisições adicionais.

- «Tem notícia da novíssima pintura moçambicana?»

- A informação que tenho da novíssima gente que faz pintura em Moçambique infelizmente é pouca. Os últimos contactos aconteceram aquando da minha última visita a Moçambique, em que se promoveram alguns encontros/debates com esses jovens.

Para terminar, como pergunta para uma nota de roda-pé,
- «Continuam a ser produzidas falsificações de quadros seus para venda aos turistas?»

-Infelizmente assim é, não só por quem faz essas cópias, porque pode estar a acontecer um desperdício de talento, mas também para quem compra. Há os que não sabem … e estão a comprar quadros falsos, mas há os que sabem, e são muitos, situação ainda mais lamentável, porque estão a fomentar o incremento de uma situação danosa e que poderá atingir proporções muito sérias.


Fonte: Eduardo Medeiros
   
 



Fotografia por Eduardo Medeiros

 
Roberto Chichorro
Nasceu em 1941, no bairro da Malhangalene, na então Lourenço Marques, hoje Maputo.
Da Escola Primária João Belo, passou para a Escola e depois Curso Instituto Industrial de Construção Civil.
Desportista de algumas modalidades e com a camisola do Desportivo.
Trabalhou como desenhador de publicidade e Arquitectura, e decorador de pavilhões para feiras internacionais de Moçambique.
Fez cenografias para espectáculos e ilustrou vários livros.
Foi bolseiro do Governo Espanhol, em Madrid, e do Governo Português, em Portugal.
Dedica-se desde então exclusivamente à pintura.
Participou em exposições colectivas desde 1966, e fez mostras individuais desde 1967.
Foram-lhe atribuídos prémios e menções honrosas.
Está presente em Museus e colecções particulares.
Está referenciado em livros e revistas da especialidade.

 

 

 

 

 

Actualizado em (Sábado, 28 Abril 2012 20:17)

 
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